Os protestos favorecem Marina Silva, eis o primeiro indício que se pode extrair dos fatos. Na sucessão de 2010, ela colecionou quase 20 milhões de votos. O grosso do seu eleitorado tinha a cara do jovem que agora vai às ruas. Os manifestantes têm aversão a partidos políticos. No gogó, a sem-legenda Marina também maldiz as legendas tradicionais. A revolta nasce, cresce e se organiza na tribuna virtual das redes sociais. O mesmo espaço que Marina utiliza como alavanca para criar a sua #rede.
Vale a pena ouvir um pouco mais de Marina: “A cada ano que passa as pessoas vão percebendo que o monopólio da política, exercido pelos grandes partidos, as coloca no lugar de meros espectadores da política. […] A força desse movimento é que ele é autoral. Ele não é dirigido por partido, sindicado, ONGs e nem por liderança carismática. Ele é um movimento horizontal.” Hostilizada nas passeatas desta quinta (20), a turma do PT e da CUT agora já sabe do que Marina está falando.
No último Datafolha, aquele em que a popularidade de Dilma Rousseff despencou 8 pontos percentuais, Marina reteve seus 16% de intenções de voto, dois pontos percentuais acima dos 14% atribuídos ao tucano Aécio Neves. Com 51%, Dilma recuou para uma região fronteiriça. Daí para cima, prevalece no primeiro turno. Para baixo, sujeita-se aos riscos de uma disputa em dois turnos. Riscos que crescem na proporção direta do fortalecimento de Marina.

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