Não há estatística oficial, mas a professora Laysa Machado, 41, gosta de dizer que é uma das únicas, senão a única, diretora transexual eleita democraticamente no ensino público no país.
Há três anos, ela é diretora-adjunta de um colégio estadual de São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba) --cargo para o qual foi reeleita em 2011, mesmo diante da "resistência de uma minoria", segundo ela.
"Você tem que matar um leão por segundo. Se o hetero precisa ser o melhor, a diversidade tem que ser bilhões de vezes melhor", diz Laysa.
Até chegar à direção, a paranaense, que nasceu com o gênero masculino mas diz sempre ter se sentido mulher, afirma ter convivido com a discriminação.
Formada em história e letras e professora concursada da rede estadual de ensino, Laysa relutou antes de assumir sua identidade. "Eu sublimava toda a minha angústia com os estudos", conta.
"Eu fui execrada. Perdi tudo: amigos, emprego." Laysa mudou-se para Curitiba, iniciou o tratamento hormonal e, quatro anos depois, fez a cirurgia de readequação genital. Para pagá-la, vendeu tudo o que tinha.

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